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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Diretor de Fotografia Assina Sucesso de Bilheteria no Brasil



Por Maurício Thuswohl, swissinfo.ch
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“Nosso Lar” é um filme que já foi assistido por mais de quatro milhões de espectadores no Brasil.
Seu diretor de fotografia é o suíço Ueli Steiger, radicados nos EUA e figura tarimbada em vários sucessos de bilheteria. swissinfo.ch o entrevistou.


Após uma longeva temporada de mais de três meses de exibição no grande circuito das principais cidades do Brasil, o filme “Nosso Lar”, baseado no conhecido livro psicografado pelo médium Chico Xavier, saiu de cartaz no início de dezembro como um dos maiores êxitos desde a retomada da produção cinematográfica nacional. Com custo final estimado em US$ 10 milhões, “Nosso Lar” superou a marca de 4 milhões de espectadores em todo o país e atingiu o patamar de R$ 40 milhões em arrecadação nas bilheterias.

O impressionante desempenho observado de Norte a Sul do Brasil tornou o filme de temática espírita dirigido pelo cineasta carioca Wagner de Assis o segundo maior sucesso nacional de 2010. “Nosso Lar” ficou atrás somente do fenômeno Tropa de Elite 2 que, com quase 11 milhões de espectadores e ainda em cartaz, já é o maior sucesso de bilheteria da história do cinema brasileiro.

Uma das qualidades destacadas pelos críticos em “Nosso Lar” é seu apurado estilo visual, que confere uma atmosfera onírica, misturada a elementos de filmes de ficção científica, à narrativa transmitida pelo espírito André Luiz sobre as coisas que lhe acontecem após morrer e deixar a Terra.

Por trás da singular assinatura visual do filme brasileiro está o conceituado profissional suíço Ueli Steiger, radicado desde os anos 1980 em Los Angeles (Estados Unidos), onde fez a fotografia de grandes sucessos de Hollywood, como “Godzilla”, “O Dia Depois de Amanhã”, “Austin Powers” e “Vida de Solteiro”, entre outros.

Boa experiência

A sensação de participar de um grande sucesso de público pela primeira vez no Brasil é “muito boa”, diz o suíço, que conversou com a swissinfo.ch por telefone de sua casa em Los Angeles durante um breve período de folga durante um intervalo nas filmagens de uma produção na Alemanha. Ele afirma ter um carinho especial pelo Brasil: “Eu já conhecia os filmes brasileiros, é claro. O Brasil tem uma longa história de grandes filmes”, diz.

Ueli Steiger conta que sua relação com o Brasil se tornou mais estreita há alguns anos, quando estudou na Film School of London (Escola de Filme de Londres) e construiu amizade com o cineasta brasileiro Aluízio Abranches, então seu colega de curso. Convidado pelo amigo brasileiro para fazer a fotografia do longa-metragem “Do Começo ao Fim”, o suíço abriu novas portas para sua carreira: “No Brasil, passei ótimos momentos e tive experiências profissionais muito interessantes”.

Outros contatos no Brasil foram logo surgindo para Steiger: “Pudemos fazer alguns pequenos filmes, e fiz diversos novos contatos. Um desses contatos foi com o Wagner de Assis do ‘Nosso Lar’. Ele me falou sobre o filme, me disse que o projeto era muito ambicioso, e me convidou para ajudá-lo a fazer”, conta.

Segundo Steiger, o processo de produção de “Nosso Lar” obedeceu à mesma lógica dos outros filmes nos quais trabalha em Hollywood: “Estive no Rio, fiz as primeiras reuniões com o produtor de design e o diretor do filme. Na minha cabeça, logo ficou claro que se tratava de um filme complexo porque é um tipo de filme espiritual onde os efeitos devem desempenhar um papel diferente do desempenhado em um filme de ficção científica”.

Para colocar em prática o que havia pensado, Steiger comandou, além de alguns profissionais contratados no Brasil, uma pequena equipe que trouxe de Los Angeles e que sempre o acompanha, formada pelos técnicos norte-americanos Scott Drinon, Reid Russell e Joe Sanchez.

Ueli Steiger durante as filmagens no Rio de Janeiro. (www.imdb.de)
Conceito visual


Apesar de suas experiências recentes com os exageros visuais do cinema-catástrofe, Steiger optou por um maior comedimento em “Nosso Lar”, como admite: “Tratava-se de um filme religioso, um filme muito moral. Por isso, eu procurei trilhar um caminho, digamos, old fashion. Procurei buscar inspiração em coisas que eu gosto, do tipo Star Wars”.

A abordagem mais comedida, segundo o suíço, não significou um menor grau de dificuldade: “No começo foi preciso tomar uma decisão muito complicada sobre o que fazer aparecer como efeito e o que fazer aparecer como real nesse ambiente chamado de ‘Nosso Lar’ pelo personagem-narrador, o André Luiz. Por experiência, sabia que quanto mais elementos reais houvessem para serem trabalhados no computador, mais complicado seria para que o resultado visual ficasse bom”.

Outra preocupação constante de Steiger era o respeito ao orçamento do filme, terreno onde as realidades no Brasil e em Hollywood são bem distintas: “Efeitos visuais podem tornar muito cara a produção de um filme. Os filmes com grandes efeitos especiais são muitos caros para os padrões brasileiros. Avatar, por exemplo, custou US$ 50 milhões de dólares”, diz.

“Nosso Lar 2”


O enorme sucesso de “Nosso Lar” já faz surgirem na grande imprensa as primeiras especulações sobre a produção de uma continuação, desta vez baseada no livro “Os Mensageiros”, também psicografado por Chico Xavier a partir de um relato transmitido pelo espírito André Luiz. O filme “Nosso Lar 2” contaria novamente com a direção de Wagner de Assis e, provavelmente, com nova participação de Ueli Steiger.

Como a nova produção ainda não foi oficialmente confirmada, o suíço diz ainda não ter novos projetos em vista no Brasil, mas deixa escapar que novidades podem surgir em breve: “É claro que eu espero trabalhar em breve no Brasil novamente! Espero trabalhar novamente com Wagner de Assis. Eu espero ansioso para voltar ao Brasil porque nós criamos uma equipe de trabalho de muita qualidade e eu tive experiências muito interessantes no Rio e em Brasília”.

Maurício Thuswohl, swissinfo.ch
Rio de Janeiro

fonte:http://www.swissinfo.ch/por/cultura/Diretor_de_fotografia_assina_sucesso_de_bilheteria_no_Brasil.html?cid=29053594

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Tropa 2 bate em Dona Flor mas apanha de O Ébrio


Recordista de lançamento, o filme "Tropa de Elite 2" que estreou em outubro atraiu até ontem (7) 10.736.995 aos cinemas. É o novo recorde oficial do cinema nacional em bilheteria, batendo "Dona Flor e seus Dois Maridos" (1976) que teve 10.735.525 de público. Os dados são do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA) da Ancine. Porém, dados extra-oficiais indicam que filme protagonizado pelo capitão promovido a coronel Nascimento (Wagner Moura, foto à esq.), apanhou de um "bêbado". Conforme Marco Aurélio Marcondes, coordenador de lançamento de Tropa de Elite 2, estima-se que o filme "O Ébrio", protagonizado por Vicente Celestino (à dir.) teria atingido "algo em torno de 14 ou 15 milhões de espectadores na carreira comercial" na década de 40 do recente século anterior, quando não havia serviços de estatísticas para o setor cinematográfico nacional.
Com informações do UOL)

Fonte:http://www.marcoeusebio.com.br/

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

TROPA DE ELITE 2: Capitão Nascimento: o mais novo niilista do BOPE


O filme Tropa de Elite 2 conseguiu uma façanha. Ele é melhor que o anterior – estima-se que o primeiro Tropa foi visto por 11 milhões de pessoas em todo o Brasil. Não é só melhor porque coloca para pensar e abandona sua ótica fascista de limpeza étnica – é impossível não admitir que há um quê de fascista no filme, quando incita no telespectador à violência ao explicitar a própria violência. Entendo que o diretor José Padilha não tinha a intenção de atingir esse alvo. Mas atingia, bastava ver a reação na platéia.

Só para lembrar. No primeiro filme os bandidos eram policiais corruptos ou marginais do morro. Estes recebiam com a mais cândida desfaçatez a sentença da morte pelos policiais do BOPE. Verdadeiros ‘heróis’ truculentos a lá Sylvester Stallone comandados pelo Capitão Nascimento, personagem vivido por Wagner Moura. Para Nascimento, bandido bom era bandido morto.

No primeiro Tropa, ainda havia espaço para outros tipos de bandidos: os ‘filhinhos de papai’ que subiam o morro para montar Organizações Não Governamentais (Ongs) e que acabavam servindo ao tráfico, ou estudantes que discutiam a dialética da violência do estado e não se preocupavam se suas baforadas de maconha serviam para alimentar o tráfico. Para alguns desses estudantes, o traficante, o bandido, ainda podia ser idealizado com um sujeito à margem do sistema, e por isso também com uma certa aura de herói.

O filme, de 2007, apesar da violência quase absurda, ainda guardava tempo para fazer humor e drama e aí surgiram bordões impagáveis como ‘pede para sair’, ‘o senhor é um fanfarrão’ ‘tu é moleque’, ‘pega a vassoura’.

Agora, o segundo Tropa de Elite, abandona o humor quase por inteiro – lembro apenas de um bordão interessante: ‘quer me foder, então me dá um beijo na boca. O filme muda o foco dos bandidos do morro. Vai ao que interessa de fato: os bandidos de ‘colarinho branco’. Aqueles que ficam sentados atrás de gabinetes e muitas vezes aparecem nas colunas sociais ou nas páginas políticas.

O filme segue os dias de Capitão Nascimento, após quase quinze anos da primeira história, que agora está separado da esposa e tem o filho no inicio da adolescência, Nascimento é Tenente-coronel e já não está mais nas ruas. A esposa casou-se novamente, infelizmente para ele com seu arquiinimigo, um ativista dos direitos humanos: Diogo Fraga, interpretado por Irandhir Santos. Quem está nas operações de rua é o Capitão Matias (André Ramiro), que já não é mais o ingênuo aluno do início da história do BOPE e de Nascimento.

Mas vamos à ação. Depois de uma operação mal sucedida, para os direitos humanos, onde o BOPE entra no presídio Bangu I, no Rio, e acaba fulminando algumas peças medonhas do tráfico na presença de Diogo Fraga, o governador do Rio de Janeiro – há uma leve menção, algo longínquo, ao Leonel Brizola – é obrigado a rebaixar Ramiro, retirando-o do BOPE e o incorporando a um batalhão da PM – um dos mais corruptos diga-se de passagem – comandado por Fábio (Milhem Cortaz).

Mas ao invés de demitir Nascimento – a estrela maior da corporação – o governador se vê na obrigação de promovê-lo. O Capitão se torna subsecretário de Segurança Pública do Rio. Também usufruindo os louros da operação, o ativista Fraga consegue se eleger para a Assembléia Estadual do Rio e entra na política partidária.

Com Nascimento na Subsecretaria, o BOPE recebe atenção especial, com novos carros, mais homens e armamentos. As ações são intensificadas e muitos bandidos vêem seus negócios serem drasticamente diminuídos. A investida começa a atrapalhar os negócios da polícia corrupta – que tem na sua ponta de lança Russo ( Sandro Rocha). Mas não demora muito esses policiais corruptos descobrem um novo negócio. Ao invés de extorquir do narcotráfico passam a fazer a segurança particular nos bairros. As vítimas agora são os comerciantes. Surgem aí as milícias clandestinas com apoio de políticos, em troca de votos.

O tempo passa. Anos depois teremos a precipitação do confronto entre o herói Nascimento contra o sistema podre que tem seus tentáculos no Estado.

O roteiro (do próprio José Padilha e Bráulio Mantovani) está enxutíssimo e mantém a tensão e a atenção do filme, ainda que haja uma certa quebra na história. Afinal, Tropa 2 tem um outro tempo. A montagem de Daniel Rezende mantém a força do longa e lembra em alguns momentos ‘Cidade de Deus’, talvez por recorrer tanto ao diálogo com a câmera e a narração em off, que interfere na própria imagem. O filme também usa o recurso de recontar uma cena que já foi mostrada de forma diferente, artifício utilizado em ‘Cidade...’

Wagner Moura está excelente e constrói um herói que se corrói por dentro ao sentir que perde a luta pelo amor do filho Rafael (Pedro Van-Held), que se aproxima cada vez mais do padrasto Fraga. Ao mesmo tempo que perde a luta contra a corrupção.
Tropa de Elite 2 reflete a luta de qual tipo de arma deve ser usada para combater a corrupção e a bandidagem, quando apontam dois caminhos: o político e a força bruta militar. Olhando por esse lado também pode ser um paráfrase dos regimes militar e civil construídos no Brasil e do glamoroso fracasso de ambos em instituir uma ordem mínima.

O longa de Padilha aponta para a desesperança ao contrário do anterior, que raspava na barbárie truculenta do BOPE como solução para o tráfico e para o desespero da violência na metrópole. Desta vez o diretor revela um pouco mais do que pensa. O filme é quase um manifesto niilismo. Um beco sem saída entre políticos e instituições governamentais e polícia. Todos, ou quase todos, podres.

Tropa de Elite 2 revela instituições viciadas no enriquecimento ilícito ou na overdose do poder. No seu niilismo lembra os filmes de Sérgio Bianchi: ‘Vale quanto pesa ou é de graça?’ e ‘Politicamente Incorreto’. É a tradução da realidade. Imperdível.
Postado por mastigada às 11:56
Marcadores: consciência, filme, política
1 comentários:
Marcel disse...
Paulo, brilhante crítica ao filme. Assisti com minha esposa e foi justamente essa a sensação que tivemos. Menos comédia, menos heroísmo da violência e a exposição fortíssima da raiz do problema: a política. O buraco é realmente mais em cima. E o pior, como a boca e mais em cima, o buraco é mais fundo. No primeiro Tropa ficava a sensação "tem que botar para fuder para ver se resolve". No segundo, viu-se que "botar para fuder" não resolve. E, sem querer apontar saídas fáceis ou sugestões fica realmente a sensação de desesperança. Perfeitamente captada por você. A melancolia, cansaço e força interna de Moura no personagem foi sensacional. Atuação "foda"! Só resta uma pergunta: por que não estreiou antes de 3 de outubro? Abraço

FONTE: http://mastigada.blogspot.com/2010/10/capitao-nascimento-o-mais-novo-niilista.html

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

COMO O BRASIL QUER CONQUISTAR HOLLYHOOD!



No campo da cultura, 2010 está definitivamente marcado como um ano de polêmicas. Somaram-se as propostas de reforma da Lei de Direitos Autorais e da Lei Rouanet, as restrições à liberdade de imprensa e, agora, a indicação brasileira do filme Lula, O Filho do Brasil, de Fábio Barreto, para concorrer a uma vaga na disputa do Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Todas elas têm um elemento em comum: a disputa de limites entre os interesses governamentais e os do setor cultural.

A megaprodução Lula, O Filho do Brasil, feita sobre a biografia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi escolhida por unanimidade para representar o Brasil no Oscar por intermédio de uma comissão técnica. Foram quatro representantes indicados pela Academia Brasileira de Cinema, dois pela Ancine (Agência Nacional do Cinema) e três pelo Ministério da Cultura. Há, como se vê, uma maioria de representantes estatais, mas o presidente dessa comissão, cineasta Roberto Farias, garante que não ocorreu nada de político na escolha: "Algumas pessoas julgam que houve influência política. Não houve. Os membros dessa comissão acreditam que esse é o melhor filme para o Oscar, não por juízo de valor artístico ou estético, mas pela possibilidade de ser bem recebido lá em Hollywood", afirma.

Fora da comissão, porém, a aceitação do filme não foi consensual. Muito pelo contrário. Nomes importantes da área, como o cineasta Alexandre Stockler e o crítico Rubens Ewald Filho, contestam veementemente a escolha. "Como cinema não é o melhor que nós temos, é uma produção que veio errada desde a maneira como nasceu, com aquele gasto todo de dinheiro", diz Stockler. Para apimentar ainda mais a discussão, houve uma clara discordância do público com o resultado, manifesta numa enquete promovida pelo próprio Ministério: Lula, O Filho do Brasil ficou em 6° lugar, com 1% dos votos, bastante atrás de Nosso Lar (70% dos votos) e Chico Xavier (12% dos votos).

Helia Scheppa/AE

E assim o Brasil viaja para o Oscar

Polêmica formada, o DCultura foi ouvir a sociedade e a classe artística a respeito do assunto. A elegante Glória Kalil declinou educadamente, o provocador Antônio Abujamra não polemizou – "eu já apanhei tanto por falar desse tipo de assunto..." –, mas outros tantos fizeram o debate crescer.

O primeiro ponto de discórdia vem dos que consideram que a indicação deveria se pautar em atributos estéticos, bastante questionados em Lula, O Filho do Brasil. Apenas um dos entrevistados pelo DCultura, o veterano compositor Billy Blanco, considera o filme bom artisticamente: "É forte em todos os pontos!" A maior parte faz ressalvas. Para a atriz Vida Alves, presidente da Associação dos Pioneiros da Televisão, o filme é "um pouquinho simples para o Oscar". O jornalista Reinaldo Azevedo, crítico ferrenho do lulismo, autor dos livros O País dos Petralhas e Máximas De Um País Mínimo, vai mais longe, dizendo que o filme é pateticamente ruim. "Evidentemente, se trata de uma indicação política. Onde quer que a cultura seja financiada pelo Estado tem isso: a melhor forma de as pessoas que precisam desse capilé demonstrarem sua independência é mostrar sua sabujice", dispara.

Da receptividade majoritariamente fria da crítica e do público – lembre-se que, além da derrota na enquete do Ministério da Cultura (veja também, os números da enquete promovida pelo site do DC), o resultado nas bilheterias foi amplamente tido como aquém das expectativas – vem outra parte do espanto que acompanhou a indicação. "É uma decisão curiosa escolher um filme tão polemizado pela crítica e não tão expressivo comercialmente", diz a cineasta Daniela Thomas. O fotógrafo e professor universitário Cristiano Mascaro segue a mesma linha. "O filme não teve críticas favoráveis nem sucesso de público. Se fosse uma indicação vinda de um órgão do governo, eu acharia 'normal'. Mas vindo de um júri com gente qualificada, como foi, acho estranha", comenta.

A comissão do Oscar, como disse Roberto Farias, não se prendeu aos méritos artísticos, mas às possibilidades de repercussão do filme nos Estados Unidos. Os grandes trunfos seriam, aí, a biografia do presidente e o seu prestígio no exterior. "É um filme profissional e conta uma história de superação, algo de que os americanos gostam muito. Então, como história, nos parece ter alguma chance. Acrescento a isso o fato de Fábio Barreto já ter tido uma indicação para o Oscar com O Quatrilho e não ser um diretor desconhecido", justifica.


Em princípio, o interesse do enredo é evidente. Mesmo que se discuta se a história do sindicalista que virou presidente foi contada com fidelidade, como pede o maestro Júlio Medaglia, não dá para negar que a matéria-prima seja instigante. O jurista e desembargador aposentado Walter Maierovitch conta que não costuma assistir a filmes que pareçam laudatórios a pessoas públicas, como o indicado brasileiro, mas confirma a grande atenção que a trajetória de Lula desperta no exterior. "O interesse sobre o Lula na Europa é enorme. Estive na última reunião da FAO (Food and Agriculture Organization, ligada à ONU), em Roma, e ele reuniu mais gente do que o próprio Papa. Isso pode ser um atrativo do filme", exemplifica.

Há, contudo, quem desconfie do peso da história e do prestígio de Lula na disputa do Oscar. Rubens Ewald Filho, experiente em comissões e coberturas da premiação, acha que os norte-americanos podem ter uma reação bastante adversa. "Eles gostam de ver tudo, menos a geografia, a cara do lugar. Um político local, então, é o que há de mais inadequado", acredita. Na sua opinião, se houve algum direcionamento político, o tiro vai sair pela culatra. "Não há precedentes de um governo mandar um representante oficial que louve o seu próprio governante. Eles vão ficar de orelhas em pé, pensando que estão diante de um cara com pretensões a Mussolini", prevê.

A cantora Nana Caymmi, intérprete de uma canção de Lula, O Filho do Brasil, reforça o argumento. "Nesses prêmios, se uma indicação fica em dúvida, como nessa possibilidade de uso político, cai em seguida", diz. Já o cineasta e ex-Secretário da Cultura de São Paulo João Batista de Andrade, levanta outro problema. "O pragmatismo da comissão é uma ilusão. Não vi nenhum filme sobre líderes estrangeiros, nem sobre o Mandela, ganhar o Oscar", afirma.

João Batista, contudo, pensa que a polêmica da indicação ao Oscar desvia a atenção de problemas mais profundos. "Acho um pouco ridícula essa atenção ao Oscar, festa de uma indústria estrangeira que ocupa mais de 90% do mercado brasileiro. A preocupação da política cultural, para mim, deveria ser aumentar o espaço da produção nacional e levar as classes mais pobres para o cinema", ataca. José Wilker, ator e comentarista da transmissão do Oscar na Rede Globo, bate na mesma tecla: "Acho que se dá uma excessiva importância à presença do Brasil no Oscar. O que a gente tem de almejar é a adesão do público ao nosso cinema", argumenta. Ambos têm razão. É preciso notar, porém, que a banalidade da indicação ao Oscar só ganha tanto relevo pela proximidade do Estado. Sem esse peso institucional, a questão talvez ocupasse, apenas, o esperado lugar de uma curiosidade. Se

FONTE:http://www.dcomercio.com.br//especiais/2010/lula/

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

HOMENAGEM AO ATOR FERNANDO ALVE PINTO




***Este vídeo é uma singela homenagem a um dos nossos Grandes e Maravilhosos Atores Brasileiros: Fernando Alves Pinto***
***O vídeo possui fotos da linda carreira do nosso Querido Nando!!!!Filmes, Curtas, Peças de Teatro, Televisão!!!!!E o vídeo termina com fotos dos seus amigos, da sua família!!!***E uma foto do Nando tocando Serrote!!!!***







quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

FILMES BRASILEIROS EM 2010

O CINEMA BRASILEIRO vem com tudo. Apresentamos aqui, uma pequena amostra do que teremos em 2010!
30 de abril - Dirigido por Sérgio Machado (de 'Cidade Baixa'), 'Quincas Berro D'Água' traz Paulo José, Marieta Severo e Mariana Ximenes numa adaptação do clássico da literatura escrita por Jorge Amado.
1º de janeiro - 'Lula, o Filho do Brasil' é a primeira aposta do cinema brasileiro em 2010. O longa reproduz parte da biografia do presidente Luiz Inácio da Silva, desde seu nascimento até se tornar líder sindical.
Ainda sem data de estreia definida NOSSO LAR - O FILME - Após a morte do seu corpo físico, famoso médico acorda no mundo espiritual e vai viver numa colônia que paira sobre a Terra, onde terá que aprender novos valores morais e vencer a saudade da família na Terra. Adaptação para o cinema do livro homônimo escrito por Chico Xavier.
Chico Xavier é uma adaptação para o cinema que descreve a trajetória do médium Chico Xavier, que viveu 92 anos desta vida terrena desenvolvendo importante atividade mediúnica e filantrópica. Vida conturbada, com lutas e amor. Seus mais de 400 livros psicografados consolaram os vivos, pregaram a paz e estimularam caridade. Fenômeno? Fraude? Os Espíritos existem? Para os admiradores mais fervorosos, foi um santo. Para os descrentes, no mínimo, um personagem intrigante.

13 de agosto - 'Tropa de Elite 2' é a aguardada continuação do longa dirigido por José Padilha em 2007 que acabou tornando-se verdadeira febre entre o público. (imagens do longa ainda não foram divulgadas)
23 de julho - Guel Arraes adapta a clássica trama de Dias Gomes, que virou uma das mais cultuadas telenovelas nos anos 70. 'O Bem Amado' acompanha os acontecimentos na pequena cidade de Sucupira, governada pelo corrupto e reacionário Odorico Paraguassu. Lá, o assassino Zeca Diabo chega para fazer justiça.